terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Devo ser a torta de blueberry

A moça de olhar distante entrou na confeitaria, buscava refúgio seguro, um lugar onde pudesse colocar os pensamentos em ordem e remontar o quebra-cabeça de um coração em pedaços. O confeiteiro ao notar o semblante tristonho da jovem lhe ofereceu uma fatia da torta que lhe parecesse mais apetitosa na loja inteira.

Num sorriso desajeitado a moça agradeceu e correu os olhos marejados de lágrimas ao seu redor, sem deixar de admirar a delicadeza com que cada uma das iguarias havia sido confeccionada. Como se pudesse ver o que passava no interior da jovem, o sábio confeiteiro fez uma sugestão. Que tal a torta de blueberry?


Enquanto a jovem saboreava aquela pequena obra de arte o confeiteiro lhe disse. Minha cara, fui agraciado com o dom de fazer doces e os faço todos com o mesmo amor e dedicação. Repare novamente na vitrine, todas as manhãs coloco à disposição dos clientes tortas de diferentes sabores e todos os dias ao final do expediente um fato curioso se repete. Nunca sobra se quer uma fatia da torta de chocolate. Dá de morango resta sempre alguns poucos pedaços. Já a de blueberry permanesse quase intacta, embora tenha a mesma qualidade das demais.


- A torta de blueberry tem mesmo um sabor muito bom, mas se lhe dá prejuízo nas vendas porquê o senhor continua a fazê-la?!

- Porque a torta de blueberry tem um sabor inigualável e há sempre quem vem a confeitaria buscando especialmente por ela.


Certa vez uma grande amiga me contou uma história similar, cena de um filme. Ainda não tive a chance de assisti-lo, mas ousei imaginar o encontro da jovem com o suposto confeiteiro. Nesse momento quero acreditar que sou como aquela torta de blueberry! Um dia alguém vai chegar a procura de um sabor especial, vai se lambuzar, lamber os dedos, dizer que a torta de blueberry é a sua favorita e que não pode mais ficar sem a tal iguaria.



Ps:Texto inspirado no filme My Blueberry Nights, conhecido em português como Um beijo roubado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O pôr-do-sol me contou

Quem dera todos os dias terminassem assim, ao sabor priveligiado de estar sentada em qualquer lugar onde não haja quatro paredes a bloquear a beleza de um pôr-do-sol. Sinto-me hipnotizada pelo degrade de cores quentes que tomam conta do horizonte. Quem dera eu tivesse o dom das tintas, seria minuciosa a tarefa de registrar nas telas o momento em que o sol se despede do lado de cá para renascer impetuoso do lado de lá.

Já vi o sol se pôr com o mesmo prazer e fixação de quem assiste ao filme predileto sem jamais enjoar. A diferença é que o espetáculo se renova a cada dia e mesmo que o cenário seja o mesmo, ainda assim os efeitos de cor, luz e sensação serão sempre especiais.

Em lugares diferentes, por ângulos diversos já vi o sol beijar o horizonte num despedir manso e faceiro. Mas hoje, num dia pra lá de comum, o colorido entardecer me fez perceber o quanto amo esse lugar. Estou novamente apaixonada pelo lugar em que vim ao mundo. Tenho asas no lugar de pés. É bem verdade que outras paisagens me chamam e não pretendo resistir, no entanto, hoje, redescobri a magia de um lugar em que insisto dar adeus, mas que por alguma razão não se cansa de me surpreender.

sábado, 29 de agosto de 2009

P.S I Love You

As vezes passamos tanto tempo ocupados com detalhes insignificantes ou tentando entender a razão das coisas acontecerem de modo tão diverso do que imaginamos que perdemos a capacidade de ver os pequenos e constantes milagres que nos são oferecidos a todo momento. Esquecemos de viver cada dia de uma vez sonhando em como o dia de amanhã será melhor quando na verdade o melhor vai depender de como você encara o que lhe aparece pela frente.


Essa manhã assisti a um filme chamado P.S I Love You que me tocou de uma forma muito especial. Dentre tantos filmes que já tive a chance de assistir esse com certeza é um dos mais sensíveis. Apesar da história girar em torno de uma perda ela mostra que perdas fazem parte das constantes mudanças que nos atingem e também que provocamos ao longo da vida. Os olhos se enchem d'água mas não de tristeza e sim pela alegria do recomeço.


E nessa mesma manhã um pensamento me acompanha...obrigada pelos sorrisos porque eles são o sinal de que não importa o que aconteça daqui pra frente pois sigo com a certeza que coisas boas sempre virão, principalmente quando menos se espera, e momentos especiais serão sempre inesquecíeveis independente de o quanto eles durem.



domingo, 23 de agosto de 2009

24 Horas que antecedem um momento especial


Tem dias que você anseia que algo inusitado aconteça na sua vida e mude o rumo das coisas. Que apareça um emprego interessante e melhor remunerado, que uma pessoa especial caia de paraquedas no seu caminho e faça um pequeno grande rebuliço na sua história. Tem dias que você quer um pouco de tudo e tudo de uma vez. Tem dias que você não quer nada além do silêncio e paz.

Tem dias que o inusitado se torna real e a sua ficha demora um tempo pra cair. Há pouco mais de 2 anos tive a idéia de escrever um livro-reportangem como trabalho final de graduação e como se não bastasse o desafio decidi que deveria conectar a prática jornalística ao universo das viagens. Alguém tem dúvidas que gosto de viajar?!Dá onde surgiu esse desejo de transitar por aí e explorar o que é diferente ao meu olhar eu não sei ao certo, mas eu fui.

E eis que o inusitado aconteceu, daqui 24 horas estarei recebendo os amigos para celebrar o lançamento de Expedição BraBo -uma trajetória de 15 dias por terras bolivianas. Tenho borboletas no estômago e elas estão se preparando para uma revoada. As asinhas batem frenéticas ao imaginar a reação das pessoas ao embarcarem nessa viagem. O medo das inevitáveis rotulações, orgulho por ter superado limitações, felicidade pelo apoio daqueles que você ama, gratidão por todos os momentos vividos, anseio para que o inusitado continue a bater na sua porta... e as borboletas... ainda estão por lá.


" O tempo é muito lento para os que esperam.
Muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade."
(William Shakespeare) .

domingo, 26 de julho de 2009

Qual a relação entre o Haiti e você?

Um belo domingo você está com o prato na mão em frente a TV assistindo um programa de esporte e começa uma reportagem sobre o Haiti. E de repente a sua comida já não tem gosto e os seus problemas já não significam nada diante as imagens de crianças comendo biscoitos feitos de terra, água, farinha e sal para se manterem vivas. E o pior ainda é saber que só tem direito a mistura aquelas crianças consideradas sadias, pois o destino dos mais debilitados cedo ou tarde será mesmo a morte. Na escassez extrema vale mais alimentar os que ainda tem uma chance de sobrevivência.

Marcados pela miséria e por um passado recente de guerra e violência os haitianos ainda acham motivos para sorrir. Em uma reportagem de extrema sensibilidade o jornalista Régis Rosing mostrou no Esporte Espetacular como o futebol tem ajudado a manter a paz entre antigos grupos rivais. As armas foram substituídas pela bola e a hostilidade pelos apertos de mão. A mudança de comportamento pode não ser a solução para o país mais pobre da América Latina, mas é a esperança de um futuro melhor e muito mais humano.

Tenho que agradecer ao Régis pelo presente nesse domingo, pois essa reportagem me fez lembrar porque um dia eu decidi estudar jornalismo. E mesmo que não siga esse caminho aprendi a respeitar e admirar trabalhos como esse. Trabalhos que vão além da denúncia, tocam o coração das pessoas e nos fazem ver a vida por um ângulo diferente.

E se você parou pra ler esse post pense duas vezes antes de desperdiçar comida e gastar o seu rico dinheirinho em futilidades. Você não tem culpa do que acontece no Haiti e nem tem poder para mudar a situação naquele país mas tem o direito de escolher não colocar uma venda nos olhos e tentar fazer as coisas de um jeito diferente. Pequenas ações e a forma como você encara a vida podem fazer uma grande diferença.
Tenham uma ótima semana!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Bem-vindos ao XI FICA

Pelas ruas de pedra da antiga capital a melodia dos violões reuni os amantes da boa música e fascina outros tantos que encontra pelo caminho, assim a seresta itinerante avança noite a dentro arrancando aplausos e suspiros saudosos de um tempo onde a vida passava mais devagar.

Durante a mês de junho a pacata Cidade de Goiás é palco do FICA- Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Na sua 11ª edição o evento traz uma programação variada e abre espaço para discussões importantes sobre a temática ambiental.

Se você gosta de cinema, música de variados gêneros, curti um bom papo com gente dos mais diversos cantos do mundo o lugar é aqui. Nessa edição o FICA traz filmes, entre longas, médias e curtas, vindos de mais de 8 países. Veterana no festival eis me aqui novamente. Faço parte da equipe de intérpretes que auxilia os cineastas internacionais durante os 6 dias do evento.
Acredite quem puder, apesar de ter sido selecionada como intérprete inglês estou aqui como intérprete italiano acompanhando um cineasta de Milão chamado Andrea Di Nardo responsável pelo filme Arrakis.
Quem tiver a fim de acompanhar o festival em tempo real pode acessar: www.radioe.com.br/fica
Ci veddiamo!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Por onde andei

Não, eu não abandonei o blog. Apesar do silêncio prolongado e do final das andanças no continente europeu eis me aqui outra vez.
Hoje completam exatos dois meses que estou de volta em solo brasileiro, precisei de um tempo para colocar a vida em ordem, desfazer as malas, arquivar as lembranças e definir novos rumos.

Depois de percorrer 14 cidades em 4 países durante 6 meses voltar pra casa não é uma tarefa das mais simples. Se de um lado você tem a recepção calorosa da família e dos amigos, mata aquele desejo insaciável por carne vermelha e dá graças a Deus pelo arroz e feijão de todo dia, por vezes você também é acometido por crises agudas de saudade e ansiedade.

Saudade da vida que levava do outro lado do oceano que apesar das dificuldades e restrições tinha sempre o constante gostinho de novidade. Saudades dos amigos com os quais se relacionou intensamente e estavam sempre ao seu lado quando as coisas apertavam. Saudades dos lugares que conheceu e dos momentos inesquecíveis que vivenciou.

Ansiedade por não se enquadrar no mundo que aqui ficou. Você foi, voltou, está tudo no seu perfeito lugar, mas ainda assim há algo diferente. E esse algo diferente é exatamente você. Seu ritmo bate agora num compasso diferente é preciso buscar a sincronia e se readaptar.

A sensação de que tudo passou rápido demais e de que ainda havia muito pra se conhecer não é exclusividade da sua cabeça, ela é real e há de se repetir a cada retorno.

Não é fácil deixar o conforto do lar e pegar a estrada. Não é fácil dizer até logo na hora da partida e ainda mais difícil dizer adeus ao retornar. Mas o que foi fácil ou difícil já não importa, você percebe que a experiência valeu mesmo a pena e te deu forças pra continuar, mesmo que o caminho esteja esburacado e cheio de pedregulhos. O negócio é não parar.

Keep walking...