domingo, 14 de março de 2010

Saindo do armário

Aproveitei o Dia da Poesia para viver um dia de poesias. Além de passar por versos ilustres de autores conhecidos resolvi explorar arquivos antigos e me deparei com palavras há muito esquecidas. Confesso sigo confusa, leio e gosto, mas no segundo seguinte já desgosto. São linhas tecidas por sentimentos diversos que fazem parte de pequenas grandes histórias. Hoje e somente hoje sinto-me instigada a sair por instantes do armário e coloco aqui versos inéditos de alguém que não sabe a receita do fazer poesia, apenas depositou no papel as possibilidades que a vida lhe ofereceu.

JÁ É TEMPO

Já é tempo de dizer adeus
Os anos passam
E você ainda está aqui
Presente em mim

Os desejos são antigos
As lembranças embaçadas
Os sonhos impossíveis
Me surpreendo pensando outra vez em você

Não me digas por onde anda
Porque é lá que parte do meu coração está
Já é tempo de tomar outra direção
Me perder de você

Olhe atentamente nos meus olhos
Não se assuste
É exatamente o que eu nego
O que você finge não ver
O que o restante do mundo não precisa de palavras pra compreender

É tão intenso
Insiste em permanecer
Às vezes tenho medo
Medo de sentir
Medo de não te esquecer

Já é tempo de me deixar ir
Com você não importa o lugar
Bastaria um chamado seu
Mas seu destino não sou eu
Já passou o tempo
Tempo de dizer adeus...


Por Daniella Barbosa


STANCO AMORE

Amore rubino
Amore originale
Amore tempesta
Amore circolare
Amore imbecille
Amore vorace
Amore stanco amore

Por Daniella Barbosa

Dia da poesia

No dia Nacional da Poesia deixo aqui um dos meus poemas preferidos de um poeta com a alma gigante e o dom de tocar corações. Se um dia eu esbarrar com o Drummond no céu não vou perder a chance de convidá-lo para um cafezinho e bater aquele papo.

MEMÓRIA

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Crônica de um amor não vivido

Guarda-chuvas coloridos abriam apresados em todas as direções, a chuva fina que caia naquela tarde cinzenta ganhou força, mas veio sólitária, desacompanhada do vento e trovoadas típicos das tempestades de verão. Ela caminhava pelas ruas desatenta ao que se passava ao redor, o trajeto era curto, diminuia o passo enquanto a água escorria suave pelo corpo. Levava consigo a saudade recente daquele amor não vivido.

Como quem assiste ao trailer de um filme inédito, viu as imagens passarem em fragmentos pela mente. Lamentou as palavras não ditas, os filmes não assistidos, as viagens não realizadas, as carícias não vividas, os pensamentos não compartilhados.

Desejou tempo. Queria manhãs preguiçosas, tardes no parque, dias nublado regados a pipoca e sessão de filme cult. Cafés, balés, salsas, óperas, fotografias, livros, canções ao pé do ouvido. Jantar à dois, à quatro, à muitos. E porque não dias cansativos, dias difíceis para se entender o valor do não estar só. Desejou que ele a desenhasse a meia luz enquanto ela bailava leve num gesto exclusivo de ousadia e liberdade. Tinha o coração aberto, o passado guardara numa caixinha, era hora de viver o presente. Queria saber o que lhe reservava aquele encontro inusitado.

Por uma fração de segundos ouviu a voz agora tão habitual, olhou ao lado, estava só. Lembrou-se da despedida repentina. Sentiu os olhos encharcados. Na garganta um aperto, no peito a ilusão de ter de volta o amor que nem ao menos tivera a chance de chamar de seu. Tinha a alma em luto. Luto por um corpo presente que embora jaz em vida segue como uma enorme ausência consentida.

Sentiu saudades. Certa vez lera num texto “saudade é não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche. Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim doer.” Continuou na chuva, parada como quem espera uma resposta vinda do céu. E a saudade? Ainda estava ali. Pior do que o término de um amor calejado é a falta de um amor não vivido.

ps: Trilha sonora do dia What Am I to you – Nora Jones
When I look in your eyes
I can feel the butterflies
I'll love you when you're blue
But tell me darlin' true
What am I to you?

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Devo ser a torta de blueberry

A moça de olhar distante entrou na confeitaria, buscava refúgio seguro, um lugar onde pudesse colocar os pensamentos em ordem e remontar o quebra-cabeça de um coração em pedaços. O confeiteiro ao notar o semblante tristonho da jovem lhe ofereceu uma fatia da torta que lhe parecesse mais apetitosa na loja inteira.

Num sorriso desajeitado a moça agradeceu e correu os olhos marejados de lágrimas ao seu redor, sem deixar de admirar a delicadeza com que cada uma das iguarias havia sido confeccionada. Como se pudesse ver o que passava no interior da jovem, o sábio confeiteiro fez uma sugestão. Que tal a torta de blueberry?


Enquanto a jovem saboreava aquela pequena obra de arte o confeiteiro lhe disse. Minha cara, fui agraciado com o dom de fazer doces e os faço todos com o mesmo amor e dedicação. Repare novamente na vitrine, todas as manhãs coloco à disposição dos clientes tortas de diferentes sabores e todos os dias ao final do expediente um fato curioso se repete. Nunca sobra se quer uma fatia da torta de chocolate. Dá de morango resta sempre alguns poucos pedaços. Já a de blueberry permanesse quase intacta, embora tenha a mesma qualidade das demais.


- A torta de blueberry tem mesmo um sabor muito bom, mas se lhe dá prejuízo nas vendas porquê o senhor continua a fazê-la?!

- Porque a torta de blueberry tem um sabor inigualável e há sempre quem vem a confeitaria buscando especialmente por ela.


Certa vez uma grande amiga me contou uma história similar, cena de um filme. Ainda não tive a chance de assisti-lo, mas ousei imaginar o encontro da jovem com o suposto confeiteiro. Nesse momento quero acreditar que sou como aquela torta de blueberry! Um dia alguém vai chegar a procura de um sabor especial, vai se lambuzar, lamber os dedos, dizer que a torta de blueberry é a sua favorita e que não pode mais ficar sem a tal iguaria.



Ps:Texto inspirado no filme My Blueberry Nights, conhecido em português como Um beijo roubado.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O pôr-do-sol me contou

Quem dera todos os dias terminassem assim, ao sabor priveligiado de estar sentada em qualquer lugar onde não haja quatro paredes a bloquear a beleza de um pôr-do-sol. Sinto-me hipnotizada pelo degrade de cores quentes que tomam conta do horizonte. Quem dera eu tivesse o dom das tintas, seria minuciosa a tarefa de registrar nas telas o momento em que o sol se despede do lado de cá para renascer impetuoso do lado de lá.

Já vi o sol se pôr com o mesmo prazer e fixação de quem assiste ao filme predileto sem jamais enjoar. A diferença é que o espetáculo se renova a cada dia e mesmo que o cenário seja o mesmo, ainda assim os efeitos de cor, luz e sensação serão sempre especiais.

Em lugares diferentes, por ângulos diversos já vi o sol beijar o horizonte num despedir manso e faceiro. Mas hoje, num dia pra lá de comum, o colorido entardecer me fez perceber o quanto amo esse lugar. Estou novamente apaixonada pelo lugar em que vim ao mundo. Tenho asas no lugar de pés. É bem verdade que outras paisagens me chamam e não pretendo resistir, no entanto, hoje, redescobri a magia de um lugar em que insisto dar adeus, mas que por alguma razão não se cansa de me surpreender.

sábado, 29 de agosto de 2009

P.S I Love You

As vezes passamos tanto tempo ocupados com detalhes insignificantes ou tentando entender a razão das coisas acontecerem de modo tão diverso do que imaginamos que perdemos a capacidade de ver os pequenos e constantes milagres que nos são oferecidos a todo momento. Esquecemos de viver cada dia de uma vez sonhando em como o dia de amanhã será melhor quando na verdade o melhor vai depender de como você encara o que lhe aparece pela frente.


Essa manhã assisti a um filme chamado P.S I Love You que me tocou de uma forma muito especial. Dentre tantos filmes que já tive a chance de assistir esse com certeza é um dos mais sensíveis. Apesar da história girar em torno de uma perda ela mostra que perdas fazem parte das constantes mudanças que nos atingem e também que provocamos ao longo da vida. Os olhos se enchem d'água mas não de tristeza e sim pela alegria do recomeço.


E nessa mesma manhã um pensamento me acompanha...obrigada pelos sorrisos porque eles são o sinal de que não importa o que aconteça daqui pra frente pois sigo com a certeza que coisas boas sempre virão, principalmente quando menos se espera, e momentos especiais serão sempre inesquecíeveis independente de o quanto eles durem.



domingo, 23 de agosto de 2009

24 Horas que antecedem um momento especial


Tem dias que você anseia que algo inusitado aconteça na sua vida e mude o rumo das coisas. Que apareça um emprego interessante e melhor remunerado, que uma pessoa especial caia de paraquedas no seu caminho e faça um pequeno grande rebuliço na sua história. Tem dias que você quer um pouco de tudo e tudo de uma vez. Tem dias que você não quer nada além do silêncio e paz.

Tem dias que o inusitado se torna real e a sua ficha demora um tempo pra cair. Há pouco mais de 2 anos tive a idéia de escrever um livro-reportangem como trabalho final de graduação e como se não bastasse o desafio decidi que deveria conectar a prática jornalística ao universo das viagens. Alguém tem dúvidas que gosto de viajar?!Dá onde surgiu esse desejo de transitar por aí e explorar o que é diferente ao meu olhar eu não sei ao certo, mas eu fui.

E eis que o inusitado aconteceu, daqui 24 horas estarei recebendo os amigos para celebrar o lançamento de Expedição BraBo -uma trajetória de 15 dias por terras bolivianas. Tenho borboletas no estômago e elas estão se preparando para uma revoada. As asinhas batem frenéticas ao imaginar a reação das pessoas ao embarcarem nessa viagem. O medo das inevitáveis rotulações, orgulho por ter superado limitações, felicidade pelo apoio daqueles que você ama, gratidão por todos os momentos vividos, anseio para que o inusitado continue a bater na sua porta... e as borboletas... ainda estão por lá.


" O tempo é muito lento para os que esperam.
Muito rápido para os que têm medo,
muito longo para os que lamentam,
muito curto para os que festejam.
Mas, para os que amam, o tempo é eternidade."
(William Shakespeare) .