terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Bonito, um lugar para se conectar com a natureza


Conhecido como destino referência em organização e preservação ambiental, Bonito atrai cada vez mais os amantes do Ecoturismo

O dia em Bonito começa cedo para os viajantes que querem conhecer as belezas naturais que transformaram o lugar e um dos principais destinos de Ecoturismo do Brasil. Pouco antes das oito horas da manhã nosso grupo já estava a caminho do chamado Parque das Cachoeiras, um santuário ecológico banhado pelas águas cristalinas do Rio Mimoso.  Da janela do ônibus, em meio ao sacolejo da estrada de chão um detalhe na paisagem chama a atenção: borboletas! Podiam ser vistas por todos os lados, grandes, pequenas, azuis, laranjas, brancas e amarelas. Aquela revoada de boas-vindas era apenas o começo de uma série de imagens incríveis que encontraríamos pelo caminho.
Distante 1.177 km de Goiânia, a cidade de Bonito fica no Estado de Mato Grosso do Sul e atrai visitantes de todas as partes do mundo. Situada no vale da Serra da Bodoquena, a cidade se destacou como destino referência em organização e ecoturismo no início da década de 90. Segundo o guia de turismo Cícero Tomás, 28 anos, a realidade nem sempre foi essa. “A atividade turística no município começou a ser desenvolvida há cerca de 25 anos e de uma forma predatória. Ninguém pensava em segurança, qualidade do serviço, preservação.  Na época ainda eram permitidas a caça e a pesca, então a própria população predava os recursos naturais,” lembra Cícero.  No entanto, logo se percebeu que a visitação desenfreada estava trazendo impactos ambientais negativos e com o passar do tempo poderiam causar danos irreversíveis. Foi então que as autoridades locais, proprietários de fazendas e a população se uniram em prol de um turismo mais sustentável, buscou-se a profissionalização da atividade turística, investiu-se em infra-estrutura e foram adotadas práticas menos nocivas à natureza.
Atualmente os atrativos naturais são monitorados e há um limite de visitação diária permitida. Por isso mesmo, o guia recomenda o agendamento dos passeios com pelo menos três meses de antecedência. Além disso, todos os passeios são realizados com guias devidamente credenciados pelo Ministério do Turismo. “O ecoturismo em Bonito leva ao pé da letra o seu conceito que além da preservação da natureza busca a participação da população. Não se visita nem um atrativo sem o intermédio da uma agência local,” diz Cícero.
Cícero Tomás atua como guia de turismo em Bonito há 15 anos e nos conta que o “boom” de visitação em Bonito aconteceu em 1992 quando as belezas da região foram mostradas no programa Globo Repórter, desde então os turistas não pararam mais de chegar. Hoje, a cidade recebe 78 mil visitantes ao ano. Cícero lembra que só as grutas atraem em torno de 25 a 30 mil visitantes por ano, a mais famosa delas é a Gruta do Lago Azul.
A turismóloga Anna Carolina de Melo visitou a cidade em abriu de 2011 e ficou surpresa com a infra-estrutura. “Tudo aqui é muito organizado e a política de incentivo a preservação ambiental é bem forte,  a cidade é simplesmente maravilhosa. O  Parque das Cachoeiras foi o atrativo que mais me chamou a atenção devido às cachoeiras belíssimas e seguras para banho”, diz Anna.



O que fazer em Bonito
Flutuação, mergulho com cilindro, visitação a cavernas, passeios de bote, cavalgadas, banhos em cachoeiras e balneários são algumas das muitas atividades que podem ser feitas em Bonito, ao todo são 30 opções de passeios na região.  O guia Cícero recomenda pela menos quatro dias em Bonito para vivenciar um pouquinho de sua exuberância e conhecer atrativos diferentes.  “Bonito é um lugar pra se relaxar e ter um maior contato com a natureza. Um lugar para se recarregar as energias” ressalta Cícero.
Aos amantes dos peixes e dos esportes aquáticos uma boa dica é uma visita ao Aquário Natural onde é possível a prática da flutuação. Entre as águas cristalinas do rio Baía Bonita você divide o espaço com diversas espécies de peixes e plantas aquáticas durante o percurso de 800 metros que se flutua rio a baixo.  Vale lembrar que durante a flutuação colocar os pés no chão está fora de cogitação, logo no início do trajeto o guia dá o aviso de que é proibido. A medida tem como principal função preservar a natureza, manter o equilíbrio daquele habitat e também evitar que a areia depositada no fundo do rio torne a água turva e prejudique a visualização embaixo d’água. 
Caso nunca tenha praticado flutuação, não se preocupe, antes de se aventurar entre os peixinhos você passa por um treinamento na piscina para saber como usar a máscara e o snorkel. Todo o equipamento é fornecido pelo Aquário e as flutuações são feitas em grupo sempre na companhia de um guia. Aos que não querem flutuar é possível fazer o trajeto a bordo do pequeno barco de apoio que segue de perto o grupo durante a descida do rio.  O trajeto de volta inclui uma caminhada pela Trilha dos Animais, um imenso parque onde vivem e podem ser observados animais regionais como jacarés, lobos-guará, cervos-do-Pantanal, dentre outros. Muitos desses animais estão ameaçados de extinção. 


Projeto Jibóia
Depois de um longo dia entre cavernas, cachoeiras e cardumes de peixes que tal tirar aquela foto segurando uma jibóia? Para muitos só de imaginar essa cena já é possível sentir calafrios. O Projeto Jibóia, idealizado por Henrique Naufal, tem como principal objetivo a desmistificação que as serpentes são animais ruins. Criador de jibóias autorizado pelo IBAMA, Henrique realiza um trabalho de educação ambiental e entre muitas risadas e histórias contadas durante sua palestra os ouvintes vão aos poucos se familiarizando com as cobras e no final da visita muitos querem levar de lembrança pra casa uma foto com a senhora jibóia enrolada ao pescoço.
Dicas
 Viajar com excursões ou em grupos maiores pode ser uma vantagem e reduzir o custo da viagem, já que em Bonito a maioria dos passeios são coletivos e guiados. Em Goiânia, a agência Goiás Adentro opera excursões terrestres para o destino, os interessados podem consultar o site da empresa. Em Bonito, o Instituto Bicho da Terra é uma boa opção para se obter guias credenciados e devidamente qualificados.
Uma visita a Bonito requer planejamento, o clima, por exemplo, é um fator importante a ser considerado, pois a chuva e o frio podem atrapalhar os passeios. A cidade recebe turistas durante o ano todo, mas o guia Cícero acredita que de setembro a novembro seja o período ideal para se visitar a região já que os meses de seca intensa se foram e as chuvas de verão ainda não chegaram. Outro fator considerável são os preços que variam entre a alta e a baixa temporada. São considerados períodos de alta temporada os feriados e os meses de férias. Todos os passeios em Bonito são pagos e os valores variam de 10,00 a 65,00 reais.

Daniella Barbosa Especial para o jornal Folha Z